quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

PILARES DA ESPIRITUALIDADE QUARESMAL



A tradição bíblica e cristã assentaram a espiritualidade quaresmal em três pilares, que, com a força libertadora e santificadora do Espírito Santo, recriam o homem novo: a oração, o jejum e a esmola.

A oração – É um encontro pessoal do homem com o Deus vivo, que nos convida à Sua intimidade. “A oração”, refere S. João Crisóstomo, “é a luz da alma e, por meio dela, unimo-nos ao Senhor num abraço inefável”. Num mundo, onde predominam o ruído e uma vida artificial, a experiência de silêncio e de deserto, ajudam-nos a purificar a memória, a descer à profundidade do ser, a pacificar-nos e a mergulhar no mistério vivo do Amor de Cristo e dos irmãos.
O Jejum – Não se reduz apenas à abstenção de alimentos. É, em primeiro lugar, um elemento importante de domínio pessoal, abertura incondicional ao amor de Deus e realização da Sua vontade. Além de ser uma preciosa ajuda no combate contra o mal, é um meio eficaz para reatar a amizade com Deus e com os outros. A mensagem de Bento XVI, para a Quaresma de 2009, está centrada no jejum, porque, refere o Papa, “o jejum ajuda-nos a tomar consciência da situação na qual vivem tantos irmãos nossos”. E, porque o amor de Deus incarna em gestos humanos concretos, a Igreja, fiel a Deus e ao homem, não pode ficar indiferente perante as situações gritantes de pobreza, fome, indigência e sofrimento, de uma grande parte da família humana. O Papa, querendo “manter viva esta atitude de acolhimento e de atenção para com os irmãos, encorajou as paróquias e todas as outras comunidades a intensificar na Quaresma a prática do jejum pessoal e comunitário, cultivando de igual modo a escuta da Palavra de Deus, a oração e a esmola”. (Bento XVI, Mensagem para a Quaresma 2009).

A esmola – “Quem dá esmola oferece a Deus um sacrifício de Louvor” (Sir 35, 4-5). A caridade é abertura do coração e solidariedade para quem está privado de alimentos, de meios económicos, de bens culturais e de progresso. Somos chamados a ser o Rosto da misericórdia de Cristo, junto dos irmãos mais necessitados, que solicitam a nossa ajuda de bens materiais e espirituais. Fazer uma caminhada quaresmal autêntica é, também, partilhar alegre e generosamente o nosso tempo: visitar os doentes, consolar os tristes, animar os que vacilam e testemunhar a esperança, onde o desamor, a solidão e a tristeza se instalaram. “Amar a Deus de todo o coração e o próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios” (Mc 12,33).