terça-feira, 24 de maio de 2016

NOSSA SENHORA DO LÍBANO



No dia 8 de dezembro de 1854, o Papa Pio IX proclamou solenemente o dogma da Imaculada Conceição, isto é, a Virgem Maria foi concebida no seio de sua mãe sem a mancha do pecado original. A grandeza deste evento teve uma consonância extraordinária no mundo cristão, em geral, e no mundo católico, em particular. Espalhou a alegria e a tranqüilidade em muitos países. Cinqüenta anos mais tarde, a Igreja Católica celebrou o jubileu de ouro do estabelecimento deste dogma. Nesta ocasião o Patriarca Maronita e o Núncio Apostólico no Líbano e Síria, de comum acordo, inspiraram aos Libaneses um impulso de fé e de entusiasmo para homenagear a Virgem Maria. Tiveram a idéia de erguer um monumento religioso para perpetuar a lembrança da confirmação do dogma da Imaculada Conceição e para destacar o amor do povo libanês a Maria Santíssima, através de todos os séculos e por todas as gerações.

Após de consultar Bispos, padres e leigos, os responsáveis religiosos decidiram chamar o monumento pelo nome de Nossa Senhora do Líbano. A opinião de vários engenheiros e arquitetos deu como resultado a escolha do lugar chamado ? O Rochedo?, na pequena aldeia de Harissa, para construir nele o monumento. Este Rochedo é uma maravilhosa colina com vista belíssima ao mar e a Beirute. Além disso, o lugar escolhido fica perto da Nunciatura Apostólica, de Bkerke, residência do Patriarca Maronita, de Charfe, residência do Patriarca sírio-catolico e não longe de Bzummar, residência patriarcal dos Armênios católicos.

Podemos crer que a providencia inspirou aos responsáveis a escolha desta colina que simboliza, por sua beleza, a magnificência e a santidade da Virgem Maria, Senhora do Líbano. Neste lugar alto eleva-se um belo Santuário com uma estatua artística da mãe de Deus, a Imaculada Conceição.

A estatua feita de bronze e pintada de branco, veio de França, a cidade de Leon. Sua altura é de 8 metros e meio, com 5 metros de diâmetro e pesa quinze toneladas. Uma verdadeira obra prima de extraordinária beleza A Virgem com as mãos estendidas e abertas para o mar (Bahia de Junieh) e a capital Beirute.

A base da estatua foi construído de pedra natural, a sua altura é de 20 metros, sua circunferência inferior é de 64 metros e a superior de 12 metros. Uma escada em colimação de 110 degraus leva os peregrinos até o cume aos pés da estatua.


Terminada a construção do Santuário e as praças preparadas, a inauguração foi marcada para o primeiro domingo de maio de 1908. Desde a madrugada daquele dia histórico, inumeráveis multidões chegavam de toda parte do Líbano com as suas bandeiras e confrarias. Assim, todas as praças, as ruas e todos os lugares vizinhos estavam transbordando de fieis devotos à Virgem Maria . As dez horas, o Núncio Apostólico Frediano Gianini começou a cerimônia religiosa, benzendo o Santuário e a estatua.

Em seguida, o Patriarca Elias Hoyek com vários Bispos e sacerdotes celebraram a missa Pontifical. O Governador geral do Líbano foi representado pelo Comandante chefe do exercito libanês, Barbar Khazen. Em seu sermão o Patriarca destacou sobre tudo o amor e a devoção particular dos Libaneses para a Virgem Maria, através de todos os tempos.

No final do Oficio divino, a cerimônia foi encerrada por uma procissão do Ícone de Nossa Senhora do Líbano na grande praça do Santuário. Naquele momento O Patriarca declarou que o primeiro Domingo de Maio será a festa anual de Nossa Senhora do Líbano.



Oração a Nossa Senhora do Líbano

Ó Maria, rainha dos montes e dos mares, Senhora do nosso querido Líbano, cuja glória te foi dada, tu quiseste que ele seja o teu símbolo.

O teubrilho supera o da neve do Líbano e o perfume da tua pureza espalha-se como o perfume das flores do Líbano. Tu te elevaste majestosa como o cedro do Líbano.

A ti pedimos, ó Virgem, volve o teu materno olhar para todos os teus filhos e, estendendo as tuas imaculadas mãos, abençoa a todos eles.

Amém

segunda-feira, 23 de maio de 2016

EXPLORAR AS PESSOAS É UM PECADO MORTAL

Na homilia do último dia 19, Francisco comentou primeira leitura do dia, extraída da carta de São Tiago. Trata-se de uma forte advertência aos ricos que acumulam dinheiro explorando as pessoas.
“As riquezas em si mesmas são boas – explicou o Pontífice, mas são “relativas, não uma coisa absoluta. ” De fato, erra quem segue a chamada “teologia da prosperidade”, segundo a qual “Deus mostra que você é justo se lhe dá tantas riquezas”. O problema é não apegar o coração às riquezas, porque – recordou o Papa – “não se pode servir Deus e as riquezas”.

Estas podem se tornar “correntes” que tiram “a liberdade de seguir Jesus”. São Tiago diz: “Vede: o salário dos trabalhadores que ceifaram os vossos campos, que vós deixastes de pagar, está gritando, e o clamor dos trabalhadores chegou aos ouvidos do Senhor todo-poderoso”:

Sanguessugas


“Quando as riquezas são feitas explorando as pessoas, aqueles ricos que exploram: explorando o trabalho dos outros e aquela pobre gente se torna escrava. Mas pensemos hoje, aqui: em todo o mundo isso acontece. ‘Quero trabalhar’ – ‘Ok: será feito um contrato. De setembro a junho’. Sem possibilidade de aposentadoria, sem assistência médica… em junho o contrato é suspenso, e em julho e agosto deve-se alimentar de ar. E em setembro se recomeça. Quem faz isso são verdadeiras sanguessugas e vivem do sangue que jorra das pessoas transformadas em escravos do trabalho”.

Trabalho informal

Francisco citou o que lhe disse uma jovem que encontrou um emprego de 11 horas diárias por 650 euros na informalidade. E disseram a ela: “Se quiser, o emprego é seu, caso contrário, pode ir embora. Há quem queira”, há uma fila atrás de você!

Esses ricos – observou – “amontoam tesouros” e o apóstolo diz: “cevando para o dia da matança”. “O sangue de toda esta gente que vocês sugaram” e “do qual viveram é clamor ao Senhor, é um grito de justiça. A exploração das pessoas – afirmou ainda o Papa - “hoje é uma verdadeira escravidão” e acrescentou:

“Nós pensávamos que os escravos não existissem mais, mas existem. As pessoas não vão mais buscá-los na África para vendê-los na América: não. Mas estão em nossas cidades. E existem esses traficantes, estes que tratam as pessoas com trabalho sem justiça”:

“Ontem, na audiência, meditamos sobre o homem rico e Lázaro. Este rico estava em seu mundo, não percebia que do outro lado da porta de sua casa havia alguém que tinha fome. Aquele rico não percebia e deixava que o outro morresse de fome. Isto é pior. É fazer as pessoas morreram de fome com o seu trabalho para o meu proveito! Viver do sangue das pessoas. Isto é pecado mortal. É pecado mortal. É preciso muita penitência, muita restituição para se converter deste pecado”.

No caixão não entram riquezas

O Papa recordou a morte de um homem mesquinho e as pessoas que diziam: “O funeral foi arruinado. Não puderam fechar o caixão”, porque “ele queria levar consigo tudo o que tinha, e não podia”. “Ninguém pode levar consigo as próprias riquezas”. O Papa Francisco concluiu:

“Pensemos neste drama de hoje: a exploração das pessoas, o sangue das pessoas que se tornam escravas, os traficantes de seres humanos e não somente aqueles que traficam prostitutas e crianças para o trabalho infantil, mas aquele tráfico mais ‘civilizado’: Eu pago você, mas sem direito a férias e assistência médica, tudo clandestino. Porém, eu me torno rico! Que o Senhor nos faça entender aquela simplicidade que Jesus nos diz no Evangelho de hoje: É mais importante um copo de água em nome de Cristo que todas as riquezas acumuladas com a exploração das pessoas”

domingo, 22 de maio de 2016

SANTÍSSIMA TRINDADE




Evangelho de Jesus Cristo segundo João 16,12-15


Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos:
12Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos,
mas não sois capazes de as compreender agora.
13Quando, porém, vier o Espírito da Verdade,
ele vos conduzirá à plena verdade.
Pois ele não falará por si mesmo,
mas dirá tudo o que tiver ouvido;
e até as coisas futuras vos anunciará.
14Ele me glorificará,
porque receberá do que é meu
e vo-lo anunciará.
15Tudo o que o Pai possui é meu.
Por isso, disse que
o que ele receberá e vos anunciará, é meu.
Palavra da Salvação.



sábado, 21 de maio de 2016

SANTA RITA DE CÁSSIA




Chamada Margherita, que originou o nome Rita, a Santa das Causas Impossíveis nasceu na Itália em 1381.

Um tanto contrariada, acabou fazendo o gosto dos pais: casou-se com um jovem temperamental e violento e tiveram filhos. Durante os 18 anos em que esteve casada, tudo fez para que a paz e a harmonia fossem mantidas. E à custa de muita oração conseguiu abrandar o temperamento do marido.

Um dia, entretanto, Paulo Ferdinando foi assassinado e jogado à beira de uma estrada. Os dois filhos juraram vingar o pai. Impotente ante o ódio dos filhos, pediu a Deus que os levasse antes que se manchassem de sangue. Seja lá por que desígnios de Deus, suas preces foram ouvidas.

Abalada pela morte do marido e dos filhos, quis recolher-se ao convento das Agostinianas de Cássia, mas não foi aceita. Rezou fervorosamente aos santos de sua devoção: São João Batista, Santo Agostinho e São Nicolau de Tolentino. Conseguindo ingressar no convento, viveu ali por 14 anos até sua morte, trazendo na testa um estigma, associando-se assim à paixão de Cristo.

Morreu no mosteiro de Cássia em 1457 e foi canonizada em 1900.

Uma família de devotos trouxe a imagem de Cássia, na Itália. Foi o ponto de partida para a devoção de mais de um século que se espalhou pelo Vale do Sapucaí, no Sul de Minas Gerais.
O Santuário de Santa Rita recebe romeiros ao longo de todo o ano. Há missas especiais para fiéis de outras paróquias todos os finais de semana com uma recepção especial pela equipe de acolhida. O Santuário possui três relíquias da santa italiana: uma partícula óssea, seu hábito e uma imagem em tamanho natural vinda de Cássia.


AMANHÃ TEREMOS A BÊNÇÃO DAS ROSAS DE SANTA RITA NAS MISSAS (9 E 11 HORAS). 

A IGREJA ESTÁ NO MUNDO POR CAUSA DA MISERICÓRDIA




A mensagem da misericórdia não é uma loucura do Papa Francisco – diz o jornalista Andrea Tornielli –, mas o motivo pelo qual a Igreja está neste mundo. Há mais de 20 anos acompanhando o dia a dia dos papas, o vaticanista do diário italiano La Stampa é um dos mais admirados entre os seus pares. No início do ano, ele lançou um livro-entrevista com o Papa Francisco, intitulado “O nome de Deus é misericórdia”, publicado no Brasil pela editora Planeta.


Na obra, Tornielli dá a palavra ao Pontífice para que explique o porquê da convocação de um ano jubilar dedicado ao tema misericórdia divina, o mais central do pontificado. “Eu gostava da ideia de uma entrevista que fizesse emergir o coração de Francisco”, explica o vaticanista no livro. “O Papa aceitou a proposta”, afirma. Em conversa exclusiva com O SÃO PAULO, em Roma, Andrea Tornielli detalha algumas de suas próprias impressões sobre essa mensagem e sobre o Papa.


O SÃO PAULO – Por que o Papa Francisco escolheu a misericórdia como tema mais central do seu pontificado?


Andrea Tornielli – Continuando na linha iniciada por seus predecessores, a partir do Papa João XXIII, Francisco considera urgente fazer conhecer esse rosto de Deus, apresentar uma Igreja que não está no mundo para condenar, mas para mostrar o rosto misericordioso de Deus. Um Deus que lhe ama assim como você é. Creio que o Papa sinta que isso é uma grande urgência para o nosso tempo.


Em quais momentos deste pontificado essa mensagem ficou mais evidente?


Creio que seja um pouco todo o pontificado. A capacidade de mostrar atenção e ternura pelas pessoas, uma grande proximidade, sobretudo com quem sofre. Talvez, principalmente nas visitas às prisões.


Mas também os outros papas visitavam prisões…


Sim, há uma continuidade, mas agora há uma acentuação particular. Francisco é o Papa da misericórdia. Essa mensagem é ainda mais central. Outros papas o faziam, mas não assim. Não é que em toda viagem o Papa visitava uma prisão. Francisco o faz. É um acento novo sobre esse aspecto, como é normal que exista.


No livro, o Papa afirma que as pessoas se afastam da Igreja quando encontram situações de “fechamento”. O que ele quer dizer com isso?


Creio que se refere a encontrar esse fechamento nas pessoas. Nesse caso, pensa, sobretudo, nos sacerdotes, quando não são capazes de acolher e de escutar. Ele dá o exemplo de um menino que morreu sem ser batizado e o padre não deixou o corpo entrar na igreja para o funeral. Acho que o Papa se refere a esse problema quando fala da importância da “pastoral do ouvido”. Isto é, de escutar. Ele a recomenda muito aos padres, mas serve para todos, porque todos podemos escutar.


O Papa diz aos padres que o confessionário não é uma sala de tortura. É uma expressão forte, não?


É sim. “Não é uma sala de tortura” significa que quem está dentro do confessionário não deve se sentir sob interrogatório. Os padres não devem ser inquisidores e, sobretudo, não devem ser curiosos sobre certas matérias. Quem vai se confessar deve ser colocado numa situação confortável. Talvez a pessoa seja um pouco desajeitada para se expressar. É nesse sentido que não deve ser uma sala de tortura. Por outro lado, o Papa diz aos penitentes que o confessionário não deve ser uma lavanderia. Não se pode ir ali como se fosse para tirar uma mancha da roupa. Se o pecado é uma ferida, é preciso curá-lo. Tem aí uma dramaticidade. Se os padres não podem transformar o confessionário numa sala de tortura, também os penitentes, aqueles que se confessam não devem pensar que se trata de levar um terno à lavanderia.


O senhor acha que esse Jubileu pode ser positivo também para o diálogo inter-religioso?


O próprio papa, na bula de proclamação do Jubileu da Misericórdia [Misericordiae Vultus], diz que o jubileu pertence à tradição hebraica, no sentido da atenção ao órfão, à viúva. Existe aí uma tradição hebraica. Mas também pelo fato que “misericordioso” é um dos títulos que o Islã atribui a Deus.


Alguns dizem que a proposta da misericórdia causa confusão, porque se perde o ponto de referência. O que o senhor acha dessa crítica?


Creio que só causa confusão, primeiro, na cabeça das pessoas que já são confusas. Segundo, na cabeça das pessoas que não têm nenhuma demanda. E, terceiro, na cabeça de padres, bispos e cardeais que não se preocupam com acompanhar as pessoas na sua vida de fé, não sentem a necessidade de ajudar as pessoas com os sacramentos, e pensam que seja seu dever manter uma certa ideia de doutrina, sem confiar no Espírito Santo ou na autoridade da Igreja. Eu estou muito impressionado [com essa crítica], porque é verdade que há um risco de se confundir a misericórdia com um “bonismo”, mas quando escuto dizer que “se fala demais de misericórdia” ou que “há misericórdia demais”, temo que sejam pessoas que não são conscientes de serem pecadores.


Por quê?


Porque quem é consciente de ser pecador não poderá jamais dizer, pensando em si mesmo, que há misericórdia demais. É a consciência de ser pobres pecadores que nos faz cristãos, que nos faz entender que precisamos da misericórdia de Jesus. Por isso, encontramos Jesus na nossa necessidade de misericórdia e no nosso pecado. Quem pensa estar sobre um pedestal, quem pensa que está fora disso porque está na posição de pregador, quem se sente separado, quem já se sente justo, quem já se sente são, quem já se sente santo, não precisa de Jesus. Jesus não poderia vir para essas pessoas. Eram os escribas e os fariseus que o estavam sempre julgando, tentando colocá-lo em dificuldade, murmurando contra ele. Quem seguia Jesus era uma multidão de publicanos e pecadores. E ele nos disse que as prostitutas e os publicanos passarão na nossa frente no Reino dos céus. Isso não foi o Papa Francisco que disse. Precisamos recordar um pouco o que está escrito nos evangelhos.


Então, qual é a grande mudança que o Ano da Misericórdia traz para a Igreja?


A frase mais bonita da Exortação Amoris Laetitia [A alegria do amor] é quando o Papa escreve que Jesus não se satisfaz com as 99 ovelhas. Vai buscar a centésima que se perdeu, porque Jesus quer todas as ovelhas. A Igreja existe para isso. Não pode ter outra preocupação que não seja esta: andar pela rua a buscar as pessoas, nas suas condições e nas suas dificuldades, anunciando o Evangelho e acompanhando-as em um caminho que pode ser longo e difícil. Mas a Igreja existe para isso. Não existe para pentear as ovelhas que já estão dentro do rebanho, que muitas vezes diminui. Não existe para defender os justos ou aqueles que se reconhecem como justos. E quando a Igreja não vai lá fora, morre. Porque se torna totalmente autorreferencial. A Igreja existe para ser missionária e para mostrar o rosto da misericórdia de Deus a quem precisa dessa misericórdia. Precisam dela, acima de tudo, os ministros da Igreja e, depois, aqueles que creem que não é mais possível mudar de vida, que estão fechados nas gaiolas que construíram para si mesmos, que afundam na lama do pecado e não pensam que haja uma mão que os salve, que os eleve, que seja possível mudar. É esse o grande anúncio da misericórdia. Não é uma “loucura” deste Papa. É o motivo pelo qual a Igreja está no mundo. Porque Jesus quer todas as ovelhas.


Felipe Domingues

sexta-feira, 20 de maio de 2016

PAPA EM PENTECOSTES



Na missa da Solenidade de Pentecostes, domingo, 15, o Papa Francisco refletiu sobre filiação divina e pertença a Cristo com a vinda do Espírito Santo e tudo o que isto comporta. O Santo Padre afirmou que os cristãos não são órfãos, mas filhos e como tais, pertencem a "única paternidade e fraternidade".


Jesus havia prometido que não deixaria os seres humanos órfãos. E precisamente a sua missão, “que culmina no dom do Espírito Santo, tinha este objetivo essencial: reatar a nossa relação com o Pai, arruinada pelo pecado; tirar-nos da condição de órfãos e restituir-nos à condição de filhos”. De fato, “a paternidade de Deus reativa-se em nós graças à obra redentora de Cristo e ao dom do Espírito Santo”. O Espírito que os torna “filhos adotivos. É por Ele se clama: Abbá, ó Pai!”.


O Papa explica que “toda a obra da salvação é uma obra de regeneração, na qual a paternidade de Deus, por meio do dom do Filho e do Espírito, nos liberta da orfandade em que caíramos” e observa, que nos tempos atuais, é possível constatar “vários sinais desta nossa condição de órfãos”:


“A solidão interior que sentimos mesmo no meio da multidão e que, às vezes, pode tornar-se tristeza existencial; a nossa suposta autonomia de Deus, que aparece acompanhada por uma certa nostalgia da sua proximidade; o analfabetismo espiritual generalizado que nos deixa incapazes de rezar; a dificuldade em sentir como verdadeira e real a vida eterna, como plenitude de comunhão que germina aqui e desabrocha para além da morte; a dificuldade de reconhecer o outro como irmão, porque filho do mesmo Pai; e outros sinais semelhantes”, exortou o Pontífice.


A todos estes sinais de orfandade – afirma o Pontífice – “se contrapõe a condição de filhos, que é a nossa vocação primordial, é aquilo para que fomos feitos, o nosso ‘DNA’ mais profundo mas que se arruinou e, para ser restaurado, exigiu o sacrifício do Filho Unigênito”. “Do imenso dom de amor que é a morte de Jesus na cruz, brotou para toda a humanidade, como uma cascata enorme de graça, a efusão do Espírito Santo. Quem mergulha com fé neste mistério de regeneração, renasce para a plenitude da vida filial. ‘Não vos deixarei órfãos’”.


Estas palavras de Jesus – prosseguiu o Papa – remetem-nos à presença materna de Maria no Cenáculo. “A Mãe de Jesus está no meio da comunidade dos discípulos reunida em oração: é memória vivente do Filho e viva invocação do Espírito Santo. É a Mãe da Igreja. À sua intercessão, confiamos de maneira especial todos os cristãos, as famílias e as comunidades que, neste momento, têm mais necessidade da força do Espírito Paráclito, Defensor e Consolador, Espírito de verdade, liberdade e paz”.


Citando a Carta de Paulo aos Romanos, Francisco recorda que “o Espírito faz com que pertençamos a Cristo”, e “consolidando a nossa relação de pertença ao Senhor Jesus, o Espírito faz-nos entrar numa nova dinâmica de fraternidade”. “Através do Irmão universal que é Jesus, podemos relacionar-nos de maneira nova com os outros: já não como órfãos, mas como filhos do mesmo Pai bom e misericordioso. E isto muda tudo! Podemos olhar-nos como irmãos, e as nossas diferenças fazem apenas com que se multipliquem a alegria e a maravilha de pertencermos a esta única paternidade e fraternidade”.

quinta-feira, 19 de maio de 2016

CUIDADO COM A TRISTEZA



Quantas e quantas vezes somos pegos de surpresas por um sentimento de tristeza que invade o nosso coração?!
Não sabemos ao certo de onde surgiu, aparentemente não há motivos para estarmos tristes, mas acabamos tendo este sentimento dentro de nós…
O problema deste tipo de sentimento de tristeza que nos invade é que ele faz exatamente como está escrito no versículo acima de Eclesiástico: Produz em nós pensamentos que nos atormentam o coração.

A própria Palavra de Deus já nos ensinou que existem dois tipos de sentimentos de tristeza que podemos experimentar; um que é bom e outro ruim:

“De fato, a tristeza que vem de Deus produz arrependimento que leva para a salvação e que não volta atrás; a tristeza segundo este mundo produz a morte.” (2 Cor 7,10)

A tristeza segundo Deus é aquela que faz crescer em nós uma meta, um objetivo, cria em nós expectativa de mudanças, apesar de estarmos tristes e arrependidos de termos feito algo de errado ou algo que não foi bom.
Mas a tristeza do mundo causa em nós a morte, causa em nós a aflição, o desespero, a angustia, e vai aos poucos matando a vida de Deus que há em nós!
Por isso é preciso sempre tomar muito cuidado com o sentimento de tristeza que insiste em entrar em nosso coração. Ele pode ser uma grande armadilha da tentação e do demonio, para nos tirar do foco que é Deus. Com isso não estou dizendo que nunca nos sentiremos tristes por causa de uma situação que estamos vivendo em nossas casas, por causa de algo que nao se resolve….Mas o que estou dizendo, é que mesmo com estes tipos de sentimentos de tristeza é preciso que tomemos cuidado.
Se nos deixamos invadir por ele logo logo começaremos deixar de rezar porque iremos ficar desanimados, logo questionaremos Deus em diversas situações, e logo cairemos num caminho muito sombrio onde não mais conseguiremos enxergar as coisas boas que nos cercam…
Muitas pessoas já cometeram suicidio porque se deixaram invadir por um sentimento de tristeza que não conseguiram mais sair dele. Recebo diversos e-mails de pessoas que perderam toda a perspectiva de vida porque se sentem tristes. Pessoas que já tentaram se matar porque não vêem mais sentido na vida, e estão com o coração cheio de tristezas.

Em geral as pessoas quando se deixam absorver por esta tristeza que causa a morte, não conseguem buscar ajuda, muitas vezes nem mesmo querem buscar ajuda, não querem rezar porque nao vê mais sentido em rezar, não acreditam mais em Deus e na Sua bondade. E muitas vezes estas pessoas acham que quem esta ao seu lado não está nem ai para o que elas estão vivendo….E por isso, tudo perde o sentido…Muito facilmente uma pessoa que se deixou abater pela tristeza pode entrar num estado de depressão profunda, num estado de fobias e de medo….




“Não entregues teu coração à tristeza, mas afasta-a e lembra-te do teu fim.” (Eclo 38, 21)

A melhor maneira de começar combater a tristeza é unir-se a Deus por meio da Oração. Não creio que o primeiro passo seja outro. Então é necessário que todo este sentimento de tristeza que a pessoa vem sentido seja entregue a Deus, seja exposto a Deus…A pessoa por meio de um dialogo com Deus precisa expor-se a Ele, e deixar que o Senhor comece a entrar em seu interior levando luz…Luz a tantos espaços que foram preenchidos por sombras, desilusões e coisas negativas…
Se a base não estiver em Deus, a pessoa pode facilmente desanimar e se perder no caminho. Mas quando a pessoa entendeu que o alicerce precisa ser Deus, que o sustento precisa vir de Deus, logo ela é tomada de um sentimento de esperança…
É claro que pessoas que estão vivendo muitos anos nesta situação precisarão de um esforço e maior determinação, mas ainda assim esse é o caminho mais seguro.

Não posso deixar de destacar que existem pessoas que por causa da tristeza entraram em profundas depressões, e por isso agora uma ajuda médica também é necessária na recuperação destas pessoas.

Poderia ainda abordar muitas realidades sobre a tristeza, mas o que eu quis passar e deixar em destaque neste artigo é que precisamos cuidar do nosso coração e do nosso interior, e entrarmos em combate aos primeiros sinais de tristeza que surgirem dentro de nós!

E termino com este versículo da Palavra de Deus, que pode ser repetido muitas e muitas vezes por cada um de nós: “Não haja tristeza, porque a alegria do Senhor será a vossa força.” (Ne 8,10)

Deus abençoe voce!