sexta-feira, 31 de julho de 2015

ATENÇÃO!


DEUS NA CIDADE

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo (SP)

As metrópoles concentram, atualmente, grande parte da população mundial. Dias atrás, foi divulgada a notícia de que a China pretenderia constituir uma megalópole capaz de acolher até cem milhões de habitantes! Também no Brasil, apesar da extensão territorial imensa, a população está bastante concentrada nas “cidades milionárias”.



O tema das metrópoles é objeto de observações e estudos diversificadas. A cidade grande, para muitas pessoas, continua a ser um sonho dourado de bem estar, boas oportunidades, vida confortável, bens e serviços socializados... Na prática, porém, chamam mais a atenção os efeitos colaterais indesejados desse sonho urbano, como o desconforto da mobilidade e do transporte, serviços deficitários ou precários, falta de trabalho e emprego, tensões sociais, marginalização de parte da população, solidões em meio à multidão, organizações criminosas, violência, medo...

Na semana passada, dias 21 e 22 de julho, a Pontifícia Academia das Ciências Sociais promoveu no Vaticano um encontro interessante com a participação de cerca de 70 prefeitos de grandes cidades do mundo inteiro; também 5, de metrópoles brasileiras. Não faltou o encontro com o Papa Francisco. Tratou-se da parte que as metrópoles têm na preservação do meio ambiente, “casa comum” da grande família humana, e da “ecologia humana”, com as exclusões sociais que se verificam com frequência nas metrópoles. Como em São Paulo, por exemplo.

Na ocasião, o Papa destacou que a preocupação da Igreja com as metrópoles é social e ecológica; melhor dito, é sócio-ambiental. Acima de tudo, porém, a preocupação da Igreja é com a realização eficaz e frutuosa da sua missão evangelizadora na cidade grande. A Igreja já está presente nas cidades grandes e tenta realizar sua missão; mas, sendo realistas, é inevitável constatar que ela enfrenta desafios grandes e dificuldades novas para realizar a sua missão nas grandes metrópoles.

As megalópoles são um fenômeno bastante recente na história da humanidade. Não é de hoje que a Igreja se preocupa com a “pastoral urbana”; já Concílio Vaticano II, no Decreto Ad Gentes sobre a atividade missionária da Igreja, aparece uma referência à necessidade de estender a atividade missionária nos novos contextos urbanos (cf nº 20). Atualmente, 50 anos depois do Concílio, as questões urbanas que a Igreja deve enfrentar são bem diferentes: já não se trata apenas de criar uma certa “pastoral urbana”, como se fosse mais uma entre várias iniciativas pastorais.

O desafio agora é bem mais amplo: como ser uma Igreja urbana e fazer de toda a ação eclesial na cidade uma ação evangelizadora urbana? Não podemos fazer de conta que a cidade grande, ao nosso redor, não existe, ou que seja apenas um detalhe incômodo para a vida e a missão da Igreja... A cidade grande é um campo prioritário para a vida e a missão da Igreja; se não a encararmos assim, corremos o risco de nos tornarmos, nós mesmos, um corpo estranho à metrópole.

E o Magistério da Igreja retomou a reflexão sobre a presença da Igreja nos grandes centros urbanos em diversas ocasiões, quer em documentos pontifícios, quer nos documentos do Magistério local dos bispos, como nas Conferências dos Bispos da América Latina e do Caribe (Puebla, Santo Domingo, Aparecida) e também da CNBB. O Papa Francisco aborda o tema de maneira incisiva na Exortação Evangelii Gaudium e na encíclica “Laudato sìi – sobre o cuidado da casa comum”.

O clero da arquidiocese de São Paulo fará seu curso anual de aprofundamento teológico e pastoral justamente sobre o tema - “Deus na cidade”. Será em Itaici, de 3 a 6 de agosto, e contará com a assessoria de um especialista sobre o tema: Pe. Carlos Maria Galli, professor da Universidade Católica de Buenos Aires. Será uma ocasião para avançarmos no esforço de sermos uma Igreja na metrópole paulistana, como tudo o que isso requer e significa.

Publicado em O São Paulo

quinta-feira, 30 de julho de 2015

PAPA FRANCISCO É O PRIMEIRO INSCRITO DA JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE NA CRACÓVIA


Desde domingo, 26, estão abertas as inscrições para a Jornada Mundial da Juventude de 2016, que se realizará em Cracóvia, na Polônia, de 26 a 31 de julho. Faltando exatamente um ano para o evento, o Comitê Organizador ativou na manhã de domingo o sistema que foi desenvolvido em parceria com o Pontifício Conselho para os Leigos.

Depois do Angelus, ao lado de dois jovens, o Papa Francisco foi o primeiro a se inscrever para a JMJ, dando início à abertura das inscrições dos jovens.

"Eu mesmo quis abrir as inscrições e acabo de me inscrever como peregrino mediante um dispositivo eletrônico. Celebrada durante o Ano da Misericórdia, esta Jornada será, num certo sentido, o jubileu da juventude, chamada a refletir sobre o tema 'Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia' (Mt 5,7). Convido os jovens de todo o mundo a viver esta peregrinação seja indo a Cracóvia, seja participando deste momento de graça nas próprias comunidades."
Como se inscrever

Para se inscrever, é preciso acessar a página oficial da JMJ Cracóvia e clicar na opção “Participe”. Assim, os interessados serão redirecionados para o questionário de inscrição, que estará disponível em cinco idiomas: polonês, inglês, italiano, francês e espanhol.

O processo de inscrição será dividido em duas fases. Na primeira, serão registrados os macro grupos (até 5.000 participantes). Já na segunda, esses macro grupos serão divididos em subgrupos (cada um até 150 no máximo).

É recomendável que os grupos estrangeiros, ao se registrarem, entrem em contato com os coordenadores da JMJ na Conferência Episcopal de seu país. As comunidades internacionais como ordens, congregações, institutos ou movimentos devem se registrar de maneira independente através de seus centros nacionais ou internacionais.

No sistema de inscrição, não haverá necessidade de fornecer detalhes de todos os peregrinos. Na segunda fase da inscrição, aparecerão questões detalhadas sobre o responsável pelo subgrupo e seu substituto.

Para obter uma descrição completa do grupo, deverá ser informada a quantidade de menores de idade (aqueles acima de 13 anos), pessoas com necessidades especiais e aqueles que necessitam de visto para visitar a Polônia. Para os dois últimos grupos, haverá questionários especiais a serem preenchidos.
Pacotes de inscrição e kit peregrino

Os peregrinos registrados terão diferentes pacotes para escolher, entre eles, pacotes para a semana inteira ou somente para o fim de semana. Dentro da taxa de inscrição, assim como foi feito na Jornada no Brasil, os participantes escolherão: refeições com acomodação, refeições sem acomodação, acomodação sem refeições ou nem acomodação nem refeições.

Nota-se que todos os peregrinos dentro de um subgrupo precisarão escolher os mesmos tipos de pacotes e o mesmo idioma para catequese.

Todos os registrados receberão um kit peregrino, no qual eles poderão encontrar os materiais necessários para os eventos centrais, informações sobre a cidade, entre outros.


Por que se inscrever?

O Comitê Organizador incentiva a todos que irão participar da JMJ a se registrarem. Os dados coletados no sistema de registro ajudarão na preparação logística, alimentação, acomodação, organização dos lugares onde se realizarão os eventos centrais, entre outros.

Do ponto de vista dos peregrinos, o registro no sistema, dependendo do pacote escolhido, é uma garantia de acomodação, deslocamento eficiente ao redor de Cracóvia, acesso aos eventos, comida durante a JMJ e um conjunto de informações necessárias para vivenciar esses dias incríveis da melhor maneira possível.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

SANTA MARTA, ROGAI POR NÓS!

Hoje lembramos a vida de Santa Marta, que tem seu testemunho gravado nas Sagradas Escrituras. Padres e teólogos encontram em Marta e sua irmã Maria, a figura da vida ativa (Marta) e contemplativa (Maria). O nome Marta vem do hebraico e significa “senhora”.

No Evangelho, Santa Marta apresenta-se como modelo ativo de quem acolhe: “… Jesus entrou em uma aldeia e uma mulher chamada Marta o recebeu em sua casa” (Lc 10,38).

Esta não foi a única vez, já que é comprovada a grande amizade do Senhor para com Marta e seus irmãos, a ponto de Jesus chorar e reviver o irmão Lázaro.

A tradição nos diz que diante da perseguição dos judeus, Santa Marta, Maria e Lázaro, saíram de Bethânia e tiveram de ir para França, onde se dedicaram à evangelização. Santa Marta é considerada em particular como patrona das cozinheiras e sua devoção teve início na época das Cruzadas.

Santa Marta, rogai por nós!

terça-feira, 28 de julho de 2015

PAPA SE REUNIU COM PREFEITOS DE DIVERSAS PARTES DO MUNDO

Cerca de 70 prefeitos de várias partes do mundo se reuniram na terça e quarta-feira, 21 e 22 de julho, no Vaticano, para discutir as mudanças climáticas, as novas formas de escravidão moderna e o desenvolvimento sustentável, em evento realizado pela Pontifícia Academia das Ciências.

O workshop “Escravidão Moderna e Mudanças Climáticas” contou com a participação de sete prefeitos brasileiros, que prepararam uma carta relatando os principais desafios enfrentados pelos governos locais e pedindo o reconhecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) como atores fundamentais na promoção da sustentabilidade e do desenvolvimento humano. Os prefeitos também solicitam por meio do documento que haja uma transferência de recursos e tecnologias dos países desenvolvidos aos países em desenvolvimento, e que este repasse seja feito diretamente às cidades, considerando o consumo de recursos naturais dos países.

Periferia e crescimento desenfreado

Em seu discurso improvisado que encerrou o primeiro dia do encontro, Francisco falou que “o trabalho mais sério e mais profundo se faz da periferia até o centro”. “Se o trabalho não vem das periferias até o centro, não tem efeito”, afirmou ele ao apontar as responsabilidades dos prefeitos e os motivos pelos quais eles participam do evento. 

Mais uma vez ele pode falar ao mundo sobre suas expectativas de que a comunidade internacional chegue a um consenso e produza um documento final com propostas concretas durante a cúpula sobre o clima, a ser realizada em novembro, em Paris. Segundo ele, “as Nações Unidas precisam se envolver mais fortemente nesses problemas, especialmente com o tráfico de seres humanos, provocado por este fenômeno ambiental, a exploração das pessoas”.

O papa apontou que o inchaço das grandes cidades é provocado pelas consequências de um movimento de desenvolvimento tecnocrático de exclusão, no qual as pessoas no campo têm seu acesso à terra diminuído e migram para os centros urbanos, e que este problema está ligado à maneira como se cuida do ambiente. “É um fenômeno mundial. As grandes cidades crescem cada vez mais, e junto com elas, os bolsões de pobreza e miséria, onde as pessoas sofrem as consequências das negligências com o planeta”, conclui.

Encíclica Social

Sobre a Laudato si’, Francisco afirmou que ela não é uma “encíclica verde, mas sim uma encíclica social”, pois dentro dela, assim como da vida social do homem, não é possível separar o cuidado com o meio ambiente. “O problema do ambiente é uma atitude social, que nos socializa”, refletiu.

Ele enfatizou que a cultura do cuidado pelo ambiente não é apenas uma “atitude verde, é muito mais”. “Cuidar do ambiente significa uma atitude de ecologia humana. Já não podemos dizer a pessoa está aqui e a criação e o ambiente estão ali. A ecologia é total, é humana. Foi o que eu quis expressar naLaudato si’, que não se pode separar o homem do resto. Existe uma relação de incidência mútua, seja do ambiente sobre a pessoa, seja da pessoa no modo como trata o ambiente. E, também, o efeito de ‘rebote’ contra o homem, quando o ambiente é maltratado”, explicou.

Compromissos

Nesta terça-feira, 21, ao final do Simpósio sobre “Prosperidade, população e planeta”, o papa e os prefeitos reunidos assinaram uma Declaração conjunta, que menciona de modo especial a Conferência sobre o Clima de Paris (COP21) como a última efetiva possibilidade de negociar acordos que possam manter o aquecimento global provocado pelo homem em um limite seguro.

“Os líderes políticos de todos os Estados-membros das Nações Unidas têm uma responsabilidade especial em concordar na COP21 para um ambicioso acordo sobre o clima, que limite o aquecimento global a um nível seguro para toda a humanidade, protegendo os pobres e os vulneráveis do perigo mortal constituído pelas mudanças climáticas em andamento. Os países de alta renda deveriam contribuir para financiar as despesas com a finalidade de atenuar as mudanças climáticas nos países de baixo renda, como prometeram fazer”, diz trecho do texto.

No documento, os prefeitos afirmam se empenharem “em favorecer a emancipação dos pobres e dos que vivem em condições de vulnerabilidade, reduzindo sua exposição a eventos extremos e catastróficos derivantes de profundas alterações de natureza ambiental, econômica e social, que criam terreno fértil para o tráfico de seres humanos e as migrações forçadas”.

Lutar pelo fim dos abusos, da exploração, do tráfico de pessoas e de órgãos, além da prostituição e servidão doméstica também estão entre os compromissos assumidos. “Queremos que as nossas cidades e centros urbanos se tornem sempre mais socialmente inclusivos, seguros, flexíveis e sustentáveis. Todos os setores e as partes interessadas devem fazer sua parte e nós nos empenhamos plenamente neste sentido, como prefeitos e como pessoas”, desejam.

Com informações e fotografia da Rádio Vaticano

segunda-feira, 27 de julho de 2015

DOM JULIO FALA SOBRE A IDEOLOGIA DE GÊNERO AO PORTAL A12

Por Valquíria Vieira, 20 de Julho de 2015 às 13h41.
Compartilhado do Portal A12 de Aparecida

O prazo para a apresentação dos Planos Municipais de Educação foi encerrado no em 24 de junho, mas as questões sobre ideologia de gênero ainda podem voltar a diversas discussões da sociedade.

O A12.com conversou Dom Júlio Endi Akime, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo (SP) e secretário geral do Regional Sul 1 da CNBB que esclareceu a posição da Igreja diante dessa discussão, como o tema ainda pode estar em discussão na sociedade e a importância da família na educação e formação das pessoas.

A12 - Explique a posição da Igreja diante da ideologia de gênero e a preocupação com os que sofrem preconceito, discriminação ou algum tipo de exclusão.


"A Igreja rejeita decidida e fortemente a ideologia de gênero. Com a mesma clareza e decisão rejeita o preconceito contra grupos sociais, a discriminação e a exclusão de pessoas."

Dom Júlio - A Igreja rejeita decidida e fortemente a ideologia de gênero. Com a mesma clareza e decisão rejeita o preconceito contra grupos sociais, a discriminação e a exclusão de pessoas. Uma coisa é ensinar e defender o rompimento entre o sexo biológico e a identidade sexual; outra é a atitude misericordiosa em relação às pessoas com tendências homossexuais. A ideologia de gênero afirma que homem e mulher não diferem pelo sexo, mas pelo gênero, e que ser menino ou menina é uma construção social imposta pela sociedade, família e educação. A ideologia de gênero vai no caminho oposto da lei natural e desconstrói o conceito de família, que tem seu fundamento na união estável entre homem e mulher.

A Igreja rejeita a ideologia de gênero porque o projeto desconstrói a família. Segundo essa ideologia os homens e as mulheres não têm atração pelo sexo oposto por natureza, mas por causa de condicionamentos da sociedade. Por isso o desejo sexual pode ser orientado para qualquer sexo, o que justificaria o casamento de pessoas do mesmo sexo. Em vez da atração sexual pelo sexo oposto, a ideologia de gênero apregoa uma sexualidade perversa polimorfa.


"A Igreja rejeita a ideologia de gênero porque o projeto desconstrói a família."

Basta pesquisar a literatura disponível para se dar conta desse projeto de desconstrução da família, do casamento entre homem e mulher, da maternidade e paternidade. Cito um autor de vários manuais utilizados nas Universidades norte-americanas para ilustrar o projeto da ideologia do gênero.

“A supressão da família biológica fará desaparecer a obrigação de proceder à repressão sexual. A homossexualidade masculina, o lesbianismo e as relações sexuais, fora do casamento, não serão consideradas apenas de maneira liberal, mas também como opções alternativas, fora do alcance da regulamentação do Estado. Em vez disso, até mesmo as categorias de homossexualidade e de heterossexualidade serão abandonadas: a própria instituição das ‘relações sexuais’, em que o homem e a mulher exercem um papel bem determinado, desaparecerá. A humanidade poderá enfim alcançar a sua sexualidade natural perversa e polimorfa” (Alison Jagger “Political Philosophies of Women’s Liberation”, Feminism and Philosophy, 1977, 13; grifo meu).

A12 - Com a rejeição da ideologia de gênero nos planos municipais de educação, há possibilidade dessa questão continuar em discussão? Por quê?

Dom Júlio - A discussão vai continuar e é importante que os cristãos se engajem conscientemente no debate público como cidadãos. Como cristãos não queremos impor nossas convicções aos outros, mas também não renunciamos ao nosso direito de participar democraticamente da educação e dos rumos da sociedade brasileira.

Os adeptos da ideologia de gênero consideram a educação uma estratégia importante para impor as suas convicções. O que vimos até agora na votação dos Planos de Educação é o que se percebe no mundo todo: os defensores da ideologia de gênero lutam por integrar sua visão nos programas escolares a fim de desconstruir e suprimir a família biológica tradicional.

Não é justo tratar os cristãos como cidadão de segunda classe. Infelizmente é próprio de uma ideologia a falta de diálogo com a ciência, com a realidade e com a sociedade. Uma ideologia é um sistema de pensamento fechado em uma lógica de ferro que não permite a possibilidade de revisar sua própria posição. Muitas vezes os cristãos são chamados de “dogmáticos” (no sentido pejorativo da palavra). Mas se prestarmos atenção ao modo como os adeptos da teoria do gênero argumentam e agem perceberemos como eles são “dogmáticos” (no pior sentido da palavra).

A12 - Diante de toda essa discussão gerada em torno da ideologia de gênero o que podemos destacar sobre a importância da família na educação e na formação da sociedade?

Dom Júlio - A família biológica, formada por um homem-pai e uma mulher-mãe e os filhos concebidos pela sua união (infelizmente temos que usar essa linguagem para maior clareza num contexto de grande confusão!) é a célula mãe da sociedade: a sociedade será o que for a família. A desconstrução da família, da paternidade e da maternidade não é uma questão privada dos indivíduos. Ela terá consequências deletérias para toda a sociedade.

Dois homens ou duas mulheres não concebem filhos! Sejamos realistas: a procriação humana (plenamente humana) precisa de pai e de mãe! Além disso, sabemos muito bem que pai e mãe não são intercambiáveis. Cada qual contribui para o filho de modo diferente, permitindo que este construa a própria identidade, principalmente a sexual.

Ter filho não é um direito! Ele não é um bem de consumo, que viria ao mundo em função das necessidades ou dos desejos ou dos direitos das pessoas. Embora o fato de alguém não poder ter filhos seja fonte de sofrimento, a reivindicação dos lobbies homossexuais não é legítima. É preciso um homem e uma mulher, ou melhor, um pai e uma mãe para gerar humanamente um filho. Querer ignorar essa exigência humana e biológica é um forte indício de que a reivindicação não é justa.

E se queremos falar mesmo de direitos, devemos falar do direito da criança a ter pai e mãe para construir a sua personalidade.