quinta-feira, 12 de novembro de 2015

DICA DE CINEMA



Em dezembro de 2013 chegava aos cinemas espanhóis o drama documentário - ou “docudrama” - Terra de Maria, de Juan Manuel Cotelo, diretor ainda pouco conhecido. E, como ocorre com muitos filmes europeus, apenas recentemente as salas brasileiras receberam cópias para exibição.


Com a proposta de investigar todos aqueles que acreditam em Deus, na Virgem Maria e em Jesus Cristo, Cotelo se apresenta - sim, além de escrever e dirigir, ele também é o ator principal do longa - como o Advogado do Diabo. Disposto a ir até as últimas consequências, o protagonista sai em uma jornada mundo afora tentando desmistificar uma crença aparentemente baseada em um conto de fadas.

Para construir uma linha narrativa que, apesar de muito simples e pouco criativa, funciona ao amarrar os entrevistados ao argumento principal, foram utilizados alguns recursos cômicos, cenas documentais com pessoas reais e atores para representar passagens do Novo Testamento Católico Apostólico Romano.


Os crentes na fé certamente aprenderão novas lições por intermédio das experiências de vida compartilhadas.

Tecnicamente, o longa peca ao não explorar por outros prismas as entrevistas realizadas, como faria um documentário genuíno. Ao final da projeção, fica clara a intenção tendenciosa do roteiro, entretanto a falta de esmero do mesmo é amenizada pelas histórias de vida contadas por pessoas que se dedicam à caridade e auxílio ao próximo, como o panamenho Francisco Verar e o mexicano Salvador Iñiguez. Da mesma forma, são comoventes as jornadas da ex-modelo colombiana Amada Rosa Pérez, que foi do céu ao inferno após um aborto, e do americano John Bruchalski que enquanto estudante de medicina terminava com gravidezes indesejadas de suas pacientes. 

Se submetermos a obra ao crivo apenas técnico, não será possível extrair um grande e impactante filme, mas aqueles crentes na fé que permeia o mesmo certamente aprenderão novas lições por intermédio das experiências de vida compartilhadas e das mensagens deixadas. Talvez a que mais chame a atenção é a de Verar, quando diz que "devemos amar a Deus com todo o coração, pois desta maneira o homem vive feliz e em harmonia. Quando ele tira Deus do coração, reina o orgulho, a soberba e a destruição”. 

Caso queria conhecer mais, visite o site oficial: www.terrademaria.com.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A CANECA DA SINCERIDADE




Créditos: Redação Dom Carlos Lema Garcia



Um professor de jornalismo escreve numa revista, perguntando-se se é possível hoje ser sinceros e se a palavra ainda tem valor:

“Um belo dia ao chegar à sala onde trabalho, na biblioteca da Universidade, encontrei em cima da mesa uns pedaços de barro pintado de azul escuro. Eram os restos do pequeno recipiente que uso para guardar canetas, lapiseiras, etc.

- ‘Que azar – pensei – vou ter que comprar outra caneca’. Como era de barro barato não pôde aguentar ao cair no chão. Mas comecei a perguntar-me porque teriam deixado ali os pedaços daquele utensílio quebrado. Bem poderiam ter jogando no lixo, pensei. Então reparei numa notinha, um pequeno papel quadriculado, cuidadosamente escrito com letra grande, redonda, artesanal. E li.

‘Estava limpando a caneca, caiu-me das mãos. Quebrei-a. Desculpe. Fui eu’. E a assinatura.

Virei e revirei o papel, e tornei a lê-lo. Os meus olhos contemplavam cheios de admiração aqueles pedaços de barro, que continuavam ali sobre a mesa recém-limpa. Porque aquela declaração de culpabilidade? Sem dúvida manifestava dor; mas era sobretudo uma lição de sinceridade. Senti-me como um aprendiz.

Um jornalista, sempre à caça de notícia, deve descobri-la nas menores coisas. Não duvidei em convocar os estudantes que, em uma sala contígua, trabalhavam comigo no departamento. Expliquei-lhes o motivo daquela reunião imprevista: analisar um caso prático de comportamento sincero.

Depois de mostrar-lhes os pedaços da caneca e de ler em voz alta a nota, solicitei a sua opinião. Um estudante fez a primeira observação: estavam todos os fragmentos da caneca, portanto podia ser reconstruída. Outro sugeriu a possibilidade de escrever um artigo para a imprensa louvando aquela atuação. Alguém propôs que eu levasse à Reitoria um ofício de felicitação às pessoas do Serviço de Limpeza da Universidade.

Por fim adotamos duas ideias. Primeiro, colar com cuidado os pedaços de barro, para que a caneca continuasse servindo. Segundo, comprar uma caixa de bombons e deixá-la sobre a mesa - junto à caneca já colada -, com um cartão para a pessoa que costumava limpar a mesa, dizendo: ‘muito obrigado, N.’.

Na manhã seguinte veio ao meu escritório a encarregada do Serviço de Limpeza da Universidade. Desejava comunicar-me que havia visto as senhoras que limpam a biblioteca quase chorando à volta de uma caixa de bombons e sem querer abri-la, pois diziam que não a mereciam.

Outra lição, pensei: a sinceridade sempre vem da humildade e vice-versa. A partir de então passei a chamar a caneca quebrada de “caneca da sinceridade”.

Esse professor mostra uma grande valorização de coisas que foram se perdendo no nosso tempo: Porque aquela senhora escreveu o bilhete? Porque queria ser sincera. Porque assinou? Porque queria mostrar que era ela mesma que tinha feito aquilo. Mas ninguém a obrigava?! Aí está o bonito da história. O valor que ela concedeu à sua palavra. Porque o jornalista fez tanta agitação só por causa de uma caneca? Porque essa valorização da palavra é algo raro na nossa época. E ele, como jornalista, é especialmente sensível a isso.

A doutrina cristã ensina que a virtude da sinceridade “consiste em mostrar-se verdadeiro no agir e no falar, guardando-se da duplicidade, da simulação e da hipocrisia” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2468).

Nós fomos feitos para a verdade, para a sinceridade. Toda a vida em sociedade se sustenta com a força da verdade, da palavra. Devemos aprender a dar valor à nossa palavra, tal como Jesus nos pede: “seja o vosso sim, sim e o vosso não, não. Tudo o que passar disso vem do Maligno” (Mt 5,37).

terça-feira, 10 de novembro de 2015

DOM ODILO FALA SOBRE A CONCLUSÃO DO SÍNODO DAS FAMÍLIAS



Portal ArquiSP – O Sínodo dos Bispos trata da família e o interesse da opinião pública em relação ao tema tem sido grande. O Sínodo trata de todos os aspectos da família?
Dom Odilo Pedro Scherer – É um bom sinal que a opinião pública esteja bem interessada na reflexão sobre a família: o tema ainda interessa! Embora o Sínodo tenha a família como grande tema, o aspecto específico que está em pauta é a vocação e a missão da família na Igreja e na sociedade contemporânea. Para quê existe ainda a família? Que fundamentos temos para falar de uma certa maneira do casamento e da família? Como se propõe que a família realize hoje a sua vocação e sua missão? Penso que o resultado será interessante.

Portal ArquiSP – Este Sínodo conta com cerca de 300 participantes e se supõe que todas elas querem falar e dar suas contribuições para o desenvolvimento do tema. Como trabalha o Sínodo?
Dom Odilo – Todos os participantes do Sínodo podem dar suas contribuições; é para isso que vieram. O trabalho é organizado conforme um método bem controlado para que todos possam oferecer suas reflexões; a todos é concedida a palavra ao menos uma vez no grande plenário; mas uma grande parte do tempo é dedicada ao trabalho de grupos menores, onde a participação é maior e dinâmica. Mas o Sínodo é também um grande exercício de escuta, onde não se trata de “ganhar a cena” ou de fazer “vencer” a própria opinião ou visão das coisas. O Papa Francisco lembrou, no início dos trabalhos, que o Sínodo não é um Parlamento, onde vence a maioria, ou onde se faz “lobby” de partidos e grupos, mas é lugar de diálogo e de busca da verdade: “todos devemos colocar-nos à escuta do Espírito Santo” para acolher as suas orientações.

Portal ArquiSP – A grande imprensa, em geral, fixou o seu interesse sobre a questão da comunhão aos divorciados ou separados, que casaram novamente, ou sobre as uniões de pessoas do mesmo sexo, esperando uma palavra nova da Igreja sobre essas questões. Como esses temas repercutem dentro da sala do Sínodo?
Dom Odilo – Esses temas foram destacados para a opinião pública a ponto de se pensar que seriam os pontos centrais do Sínodo. É certo que também esses, como muitas outras situações que a família enfrenta são objeto de reflexão no Sínodo e da busca da atenção pastoral da Igreja. Mas o tema do Sínodo vai muito além dessas questões: na verdade, a grande questão do Sínodo é repropor o significado e o valor do casamento e da família para a pessoa, para a comunidade humana e também para a Igreja. Na cultura atual, há muitos sinais de crise do casamento e da família. A Igreja não vai abandonar a família, como se fosse um barco à deriva. A família é um grande bem para a humanidade.

Portal ArquiSP – Qual é o espaço para a imprensa no Sínodo?
Dom Odilo – A imprensa, em geral, está muito interessada na temática do Sínodo; a organização do Sínodo reserva uma atenção especial aos agentes da imprensa, com entrevistas coletivas, boletins informativos e dando a oportunidade para que os Padres sinodais se manifestem na imprensa. Há um bom número de Meios de Comunicação e serviços de imprensa ligados à Igreja, que informam com abundância sobre o Sínodo. 

Portal ArquiSP – Participam do Sínodo bispos provenientes de diversas culturas e experiências culturais e religiosas: como essas visões diferentes são harmonizadas dentro do Sínodo?
Dom Odilo – De fato, a assembleia do Sínodo oferece a ocasião para que sejam apresentadas, sobre um tema determinado, as percepções variadas a partir das experiências culturais e religiosas dos povos mais diversos. A respeito do casamento e da família, existem tradições muito diversificadas, como a monogamia, a poligamia, os casamentos “arranjados” em família, o casamento em etapas, a família fortemente tribal, patriarcal, matriarcal... O interessante é que, em todo o mundo, onde o cristianismo foi acolhido, prevalece mais ou menos a mesma visão de casamento e família; muitas vezes, convivendo com outras tradições. No Sínodo procura-se discernir sobre o casamento e a família a partir da luz do Evangelho de Cristo.

Portal ArquiSP – O Sínodo tem uma palavra especificamente voltada para os casais?
Dom Odilo – Certamente! Primeiramente, para ajuda-los a perceber o significado e o valor e o significado do casamento e da família e para encorajá-los a viverem o casamento como um dom e uma missão e a crescerem cada dia no amor e na realização da sua vida matrimonial e familiar. A Igreja tem muito apreço pelo casamento e pela família porque esses têm sua origem no desígnio de Deus. Aos casais em dificuldades, ou que vivem situações de dor e angústia, a Igreja deseja confortar, manifestando-lhes sua proximidade. E a Igreja gostaria de dizer a todos os casais cristãos que eles têm uma grande missão a realizar na própria Igreja mas também na humanidade.

Portal ArquiSP – Muitos jovens hoje têm dúvidas sobre o valor do casamento e da família. Muitos deixam de casar; outros preferem uniões sem alguma formalização do vínculo. Qual ser[á a mensagem do Sínodo para eles?
Dom Odilo – Há uma constatação geral que muitos jovens deixam de casar na Igreja e também no civil. Talvez não perceberam ainda a importância do compromisso público e formal do seu casamento. Muitos jovens vivem certa insegurança e até angústia diante do casamento; o compromisso “para sempre” assusta um pouco... Aos jovens todos, o Sínodo dirigirá uma palavra de encorajamento e de confiança: vale a pena casar e formar família, mesmo se os tempos andam difíceis. Ninguém se iluda, pensando que houve alguma época sem dificuldades... O que é preciso, é ter coragem, generosidade e muita confiança em Deus.

Portal ArquiSP – Muitos casais e famílias sofrem, por variados motivos: miséria e pobreza, doença, conflitos em família, separações, guerra, emigração. Essas situações também encontram ressonância no Sínodo?
Dom Odilo – O Sínodo está particularmente atento às situações de sofrimento e dor nas famílias e conclama para a solidariedade. A Igreja quer ser casa de portas abertas para acolher e confortar a todos. E quer sair ao encontro de todas as situações de “periferia” que marcam tantas famílias hoje em dia. Falou-se muito da importância de constituir comunidades de famílias solidárias e acolhedoras. A própria família é a primeira escola de fraternidade e de solidariedade para com as demais pessoas.

Portal ArquiSP – Embora o Sínodo ainda esteja em andamento, já é possível entrever quais seriam alguns frutos que se podem esperar deste Sínodo?
Dom Odilo – Eu espero que o Sínodo possa despertar um renovado interesse da própria Igreja e de sua ação evangelizadora em relação à família. Nesse sentido, seria muito bom reaproximar a família da Igreja e que se refizesse esse “pacto de interação e colaboração” entre ambas. Sem a eficaz participação da família na vida e na missão da Igreja, esta terá muita dificuldade para dar eficácia à sua missão. Espero que os jovens descubram novamente a beleza e o valor alto do casamento e da família. E espero que as muitas famílias “feridas” possam encontrar orientação e conforto, para encontrar-se novamente bem na Igreja, mesmo com imperfeições e carências.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

CURSO PAROQUIAL

 No último sábado, 07 de novembro, lideranças pastorais participaram de um curso sobre os sacramentos no Direito Canônico. O Curso foi ministrado pelo Padre Júlio Cesar, mestre em Direito Canônico. 













COMEÇA HOJE...


SÍNODO PEDE A PAZ NO ORIENTE MÉDIO



Os bispos sírio-católicos, divulgam declaração ao final do Sínodo realizado nos dias passados em Harissa, no Líbano.
Créditos: Redação, com Rádio Vaticano


É preciso chegar a uma “solução diplomática” para levar a paz à Síria e ao Iraque. É o que pedem com determinação os bispos sírio-católicos, numa declaração divulgada ao final do Sínodo realizado nos dias passados em Harissa, no Líbano, sob a presidência do patriarca de Antioquia dos Sírios, Ignace Youssif III Younan.

Os Bispos voltam a invocar o fim da guerra na Síria, que chegou a seu quinto ano, e convidam as nações envolvidas no conflito a seguirem um percurso de “negociação para encontrar uma solução política pacífica”.

No documento, os prelados não deixam de denunciar as “barbáries” realizadas pelos milicianos do Estado Islâmico, condenando a profanação de túmulos cristãos e a transformação das igrejas em mesquitas. Denunciam ainda a estratégia de aniquilamento do patrimônio cultural e arqueológico da Síria e do Iraque.

Os bispos sírio-católicos condenam ainda toda forma de perseguição, que está provocando uma onda migratória sem precedentes. Em especial, recorda-se a dramática situação dos cidadãos de Mosul e da planície de Nínive – uma ameaça que provocou o êxodo de mais de 100 mil cristãos só na região do Curdistão iraquiano. Por isso, os prelados renovam seu apelo aos líderes do Iraque para que enfrentem os conflitos através do diálogo e da compreensão. Na mensagem, expressa-se satisfação pela libertação do padre Jacques Murad, ocorrida no início de outubro, que ficou em cativeiro por quatro meses.

Em entrevista a uma emissora árabe-cristã, o sacerdote contou sua experiência na prisão e referiu que celebrou a missa num dormitório subterrâneo, onde também estavam detidos outros 250 cristãos de Qaryatayn, sequestrados pelos jihadistas. “Os cristãos eram interrogados com frequência sobre sua fé e a doutrina cristã, e não se converteram ao Islã não obstante as pressões. Rezavam sempre o terço. Esta experiência de prova fortificou a fé de todos, e também a minha como sacerdote. É como renascer”, declarou Pe. Murad.

domingo, 8 de novembro de 2015

PALAVRA DE DEUS NO DOMINGO



Evangelho de Jesus Cristo segundo Marcos 12,38-44



Naquele tempo:
38Jesus dizia, no seu ensinamento a uma grande multidão:
'Tomai cuidado com os doutores da Lei!
Eles gostam de andar com roupas vistosas,
de ser cumprimentados nas praças públicas;
39gostam das primeiras cadeiras nas sinagogas
e dos melhores lugares nos banquetes.
40Eles devoram as casas das viúvas,
fingindo fazer longas oraçðes.
Por isso eles receberão a pior condenação'.
41Jesus estava sentado no Templo,
diante do cofre das esmolas,
e observava como a multidão depositava 
suas moedas no cofre.
Muitos ricos depositavam grandes quantias.
42Então chegou uma pobre viúva
que deu duas pequenas moedas,
que não valiam quase nada.
43Jesus chamou os discípulos e disse:
'Em verdade vos digo,
esta pobre viúva deu mais do que todos os outros
que ofereceram esmolas.
44Todos deram do que tinham de sobra,
enquanto ela, na sua pobreza,
ofereceu tudo aquilo que possuía para viver'.
Palavra da Salvação.