sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A CURA DE UMA SOCIEDADE DOENTE

Dom Anuar Battisti

Arcebispo de Maringá (PR)



“O problema que divide os homens de hoje não é de ordem política, mas de ordem social. Trata- se de saber quem terminará vencedor, se o espírito de egoísmo ou o espírito de sacrifício; e se a sociedade será uma sociedade de lucro sempre maior para proveito dos mais fortes ou de dedicação de cada um ao bem de todos e, sobretudo, para a defesa dos mais fracos.

Muitos têm em demasia e, todavia, querem ter mais; outros não têm o suficiente ou não têm nada, e querem obter pela força oque não lhes dão. Prepara-se uma guerra entre estas duas classes e ameaça ser terrível: de um lado, o poder da riqueza; do outro, a força do desespero. Nós devemos nos interpor entre esses dois lados, se não para impedir o choque, ao menos para suavizar o confronto. Nossa juventude e nossa modesta condição podem facilitar-nos a tarefa de mediadores, tarefa esta que nossa condição de cristãos parece exigir-nos como obrigatória. Eis aqui a possível utilidade de nossa Conferência São Vicente de Paulo”.
Esta afirmação encontrada nas cartas da Juventude, de 1836, do bem aventurado Antônio Frederico Ozanam, fundador das Conferências Vicentinas, são de uma atualidade impressionante. O que nós assistimos hoje senão a guerra dos excluídos, buscando maior dignidade, justiça, igualdade.
Os fatos que ainda estão em nossa memória, acontecidos nas vésperas da Jornada Mundial da Juventude no Rio, da Copa do Mundo no Brasil, não foram sinais de guerra entre humanos insatisfeitos com a situação do país e do mundo?
O que seria do mundo se a Igreja católica e as mais variadas congregações, associações e movimentos cristãos, não tivessem entendido a exigência da caridade e do amor, criando as mais variadas obras de caridade?
Neste mês celebramos trinta anos do Asilo São Vicente de Paulo, uma obra de Deus, onde só existe caridade, amor concreto, para noventa e seis homens e mulheres no declinar da vida, para viver o tempo de Deus com dignidade.
“Se não sabemos amar a Deus como os santos o amavam, isso deve ser para nós um motivo de reprovação, ainda que nossa debilidade pudesse nos dar um motivo para nos dispensarmos, visto que, para amar, parece que faz falta ver, e nós vemos a Deus só com os olhos da fé. E nossa fé é tão debilitada! Mas os pobres, os pobres que vemos com um olhar humano, nós os temos diante de nós, podemos tocar suas chagas com nossas mãos e ver as feridas da coroa de espinhos em sua cabeça. Sendo assim, não podemos deixar de crer, mas devemos prostrar-nos a seus pés e dizer-lhe com o apóstolo: ‘Meu Senhor e meu Deus!’ Vós sois nossos senhores e nós, vossos servos; vós sois a imagem sagrada deste Deus a quem não vemos, e, não podendo amá-lo de outro modo, o amaremos em vossa pessoa” (Bem aventurado Frederico Ozanam).
Como o exemplo da caridade de São Vicente, através das Conferências Vicentinas criadas por Ozanam, temos milhares de outros testemunhos, onde o amor-caridade é a razão do trabalho.
Os impérios caem, as riquezas apodrecem, o abismo entre ricos e pobres aumenta, os pobres lutam para ganhar o pão de cada dia, o mundo clama por mais amor, justiça e igualdade.

O mundo, a sociedade está doente. O remédio está no coração de cada cidadão. Ninguém deve imitar Pilatos, lavando as mãos, se declarando inocente e sem compromisso. O momento clama pela solidariedade de todos, para que as obras sociais e de promoção humana, continuem fazendo o bem, para um mundo de paz e de fraternidade.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

CURSO SOBRE O EVANGELHO SEGUNDO MATEUS

No último sábado nossos agentes de pastoral estiveram reunidos para uma tarde de formação bíblica. O curso foi sobre o Evangelho segundo Mateus e foi orientado pelo Padre Júlio Cesar.
















terça-feira, 23 de setembro de 2014

CONFRATERNIZAÇÃO PELOS 13 ANOS DO APOSTOLADO DA ORAÇÃO

Os zelados e zeladores do Apostolado da Oração de nossa paróquia participaram de uma confraternização pelos 13 anos de fundação.
















domingo, 21 de setembro de 2014

PALAVRA DE DEUS NO DOMINGO

Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 20,1-16a



Naquele tempo:
Jesus contou esta parábola a seus discípulos:
1'O Reino dos Céus é como a história do patrão
que saiu de madrugada
para contratar trabalhadores para a sua vinha.
2Combinou com os trabalhadores uma moeda de prata por
dia, e os mandou para a vinha.
3Às nove horas da manhã, o patrão saiu de novo,
viu outros que estavam na praça, desocupados,
4e lhes disse: 'Ide também vós para a minha vinha!
E eu vos pagarei o que for justo'.
5E eles foram. O patrão saiu de novo ao meio-dia
e às três horas da tarde, e fez a mesma coisa.
6Saindo outra vez pelas cinco horas da tarde,
encontrou outros que estavam na praça, e lhes disse:
`Por que estais aí o dia inteiro desocupados?'
7Eles responderam:
`Porque ninguém nos contratou'.
O patrão lhes disse:
`Ide vós também para a minha vinha'.
8Quando chegou a tarde, o patrão disse ao administrador:
`Chama os trabalhadores e paga-lhes uma diária a todos,
começando pelos últimos até os primeiros!'
9Vieram os que tinham sido contratados às cinco da tarde
e cada um recebeu uma moeda de prata.
10Em seguida vieram os que foram contratados primeiro,
e pensavam que iam receber mais.
Porém, cada um deles também recebeu uma moeda de prata.
11Ao receberem o pagamento,
começaram a resmungar contra o patrão:
12`Estes últimos trabalharam uma hora só,
e tu os igualaste a nós,
que suportamos o cansaço e o calor o dia inteiro'.
13Então o patrão disse a um deles:
`Amigo, eu não fui injusto contigo.
Não combinamos uma moeda de prata?
14Toma o que é teu e volta para casa!
Eu quero dar a este que foi contratado por último
o mesmo que dei a ti.
15Por acaso não tenho o direito de fazer o que quero
com aquilo que me pertence?
Ou estás com inveja, porque estou sendo bom?'
16aAssim, os últimos serão os primeiros,
e os primeiros serão os últimos.'
Palavra da Salvação.

sábado, 20 de setembro de 2014

PASTORAL DO DÍZIMO

Na quarta feira, os membros da Pastoral do Dízimo estiveram reunidos para programarem as atividades do mês do dízimo. Em outubro as paróquias da Arquidiocese de São Paulo, realizarão um mês de conscientização sobre o sentido e importância do dízimo.
 



sexta-feira, 19 de setembro de 2014

DOM ODILO CONCEDE ENTREVISTA À FOLHA DE SÃO PAULO

Entrevista Jornalista da Folha de S. Paulo, Flávia Marreiro, 14.09.2014/ Folha de S. Paulo


Em 2010, o sr. foi crítico de uma polarização exacerbada da campanha eleitoral em torno de temas como o aborto. Qual a sua expectativa quanto a essa eleição?

Mesmo sem polarizar o debate, é importante que o assunto do aborto seja levantada na
campanha eleitoral, pois ela envolve questões de princípio na vida política, como a defesa da dignidade humana, da proteção da pessoa e dos direitos humanos fundamentais, como a inviolabilidade da vida humana. Pode haver questão “política” mais relevante?! É importante que os candidatos e os partidos se declarem, sem equívocos, sobre essas questões importantes. Os eleitores têm o direito de saber a posição deles e qual é seu compromisso com essas questões de princípio.


Em 2010 e 2012, o sr. divulgou diretrizes para o comportamento de padres e bispos da arquidiocese. São as mesmas? Está vetado que padres declarem seu voto ou apareçam em material de propaganda pedindo voto?

Também desta vez foram divulgadas orientações da Arquidiocese de São Paulo para as
comunidades católicas sobre a participação na vida política e critérios de discernimento para as eleições. Elas são públicas, encontráveis nos vários meios de divulgação da Arquidiocese, e estão em sintonia com as normas da Igreja nessa matéria. Entendemos que os cargos políticos e a militância nos partidos compete sobretudo aos cristãos leigos, e não aos clérigos. 


O papa Francisco tem dito frases como "Temos que nos envolver na política". "Para o Pontífice, o fiel não pode se fazer de Pilatos e lavar as mãos", segundo a TV Aparecida. Há mais ênfase na participação política do que havia antes?

Os cristãos são cidadãos como todos os demais. Como os outros, eles têm o direito a uma
postura política própria e a seguirem sua consciência. Nós incentivamos os fiéis católicos a
participarem ativamente na vida política, coerentes com os princípios cristãos, com competência, dignidade e generosidade.


Que impacto teria a eleição de uma presidente evangélica no Brasil?

Não penso que se deva problematizar a pertença religiosa dos candidatos. Somos uma nação pluralista do ponto de vista religioso e cultural, e todos os brasileiros, também os que têm fé e praticam uma religião, têm o direito de dar sua contribuição ao bem do País. O governante, porém, não chega ao cargo em nome de uma religião. No discernimento eleitoral, é preciso ver se os candidatos têm condições de governar com justiça e equidade, de respeitar a sociedade e suas instituições, de promover o bem comum e de estar especialmente atentos à parte mais frágil da população, que precisa das especiais atenções do Estado e dos governantes. Vale lembrar que o Brasil já teve governantes de religiões diversas. Sendo laico o Estado, espero que qualquer governante garanta a liberdade religiosa e não a cerceie nem reprima.