quarta-feira, 9 de julho de 2014

TRÊS ANOS DE MINISTÉRIO EPISCOPAL

Dom Julio completa nesta quarta feira 09 de julho seu terceiro ano de Ordenação Episcopal.
Com grande alegria a Arquidiocese de São Paulo - Região Lapa, recebeu a notícia, a três ano atrás,  que o Papa Bento XVI tinha nomeado um novo Bispo Auxiliar para a Arquidiocese de São Paulo e que Dom Odilio o havia nomeado para a Região Episcopal Lapa.
Dom Julio Endi Akamine, até então provicial dos Padres Palotinos,  recebeu a notícia da Nunciatura Apostólica e a partir de então sua vida mundou completamente.
Com uma alegria contagiante foi ordenado bispo na Catedral da Sé no dia 9 de julho de 2011 e no dia 10 de julho já estava celebrando sua primeira missa como bispo na Paróquia Nossa Senhora da Lapa.



A Região Lapa passou a ser sua nova família,   aos poucos foi conhecendo os padres da Região,  as paróquias,  as comunidades,  os religiosos e os desafios pastorais desta grande metrópole.
No mês de junho de 2012 participou do primeiro retiro com o clero da Lapa em São Pedro - SP,  onde passou 5 dias em oração e convivência com os padres de seu presbitério, o pregador foi dom Angélico.

No ano de 2013 participou do seu segundo retiro com clero da Lapa em São Pedro, retiro que foi pregado por Dom Odilo Pedro Scherer.
Neste ano de 2014 dom Julio foi o pregador do retiro dos Padres, refletindo sobre o tema: Padre um homem de oração.
No primeiro ano Dom Julio foi se familiarizando com os padres e principalmente com os fiéis da região, que o tem em elevada estima. No  segundo ano, foi conhecendo a realidade da Região Lapa, tem se empenhado em desenvolver o 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese de São Paulo. Neste terceiro ano, já conhecendo toda a Região Lapa e seu Clero, dom Julio vem se empenhando em estar presente em todas as paróquias e pastorais da Região,  assumiu encontros de estudo do Catecismo da Igreja, se tornou presença marcante nas Redes Sociais e atuando muito como Bispo referencial da Pastoral do Ensino Religioso da CNBB Sul 1 e Pastoral da Educação da CNBB.
Com seu jeito simpático, sorridente, sempre atencioso conquistou a todos com o seu carisma.     Até os mais críticos reconhecem as qualidades de empenho e caridade de Dom Julio. Mesmo com tanta generosidade,  própria de quem consagra sua vida Deus, dom Julio sempre agiu com firmeza nas descisões que precisou tomar diante de problemas que se apresentaram,  necessárias pela função que exerce, mas sempre com muito respeito e caridade.  Por isso e tão querido por toda a Região Lapa.
Da parte dos padres e leigos sempre ouvimos esta expressão:  "Dom Julio é um presente de Deus para a nossa Região Lapa".  "A Região Lapa é muito abençoada, só tivemos bispos bons e dom Julio veio dar continuidade a esta obra".
Então queremos agradecer a Deus por esta graça, este ano não teremos nenhuma celebração especial, somente missas nas paróquias em intenção a ele,  pois dom Julio não se encontra no Brasil, está no Libano participando de eventos nas igrejas locais.

terça-feira, 8 de julho de 2014

SÍNODO SOBRE AS FAMÍLIAS...

O Evangelho da família; as situações familiares difíceis; a educação para a fé e a vida de todo o núcleo familiar. São estes os três âmbitos nos quais se desenvolve o Instrumentum laboris da assembleia extraordinária do Sínodo dos bispos sobre a família, que se reunirá de 5 a 19 de Outubro deste ano para refletir sobre o tema «Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização». O conteúdo do documento foi apresentado esta manhã, quinta-feira 26 de Junho, na Sala de Imprensa da Santa Sé.

A primeira parte do texto trata o desígnio de Deus, o conhecimento bíblico e magisterial e a sua recepção, a lei natural e a vocação da pessoa em Cristo. O constatação do escasso conhecimento do ensinamento da Igreja exige dos agentes pastorais mais preparação e o compromisso a favorecer a sua compreensão por parte dos fiéis, que vivem em contextos culturais e sociais diversos.
A segunda parte, que enfrenta os desafios relacionados com a família, considera de modo particular as situações pastorais difíceis, que dizem respeito às convivências e às uniões e facto, aos separados, aos divorciados, aos divorciados recasados e aos seus eventuais filhos, às mães solteiras, a quantos se encontram em condições de irregularidade canónica e a quantos pedem o matrimónio sem serem crentes ou praticantes. No documento é frisada a urgência de permitir que as pessoas feridas se curem e se reconciliem, voltando a ter confiança e serenidade renovadas. Por conseguinte, é invocada uma pastoral capaz de oferecer a misericórdia que Deus concede a todos sem medidas. Trata-se portanto de «propor, não de impor; acompanhar e não constranger; convidar, não expulsar; inquietar, nunca desiludir».
A terceira parte apresenta antes de tudo as temáticas relativas à abertura à vida, como o conhecimento e as dificuldades na recepção do magistério, as sugestões pastorais, a praxe sacramental e a promoção de uma mentalidade acolhedora.
Depois o documento denuncia o escasso conhecimento da Encíclica Humanae vitae. Na maioria das respostas são evidenciadas as dificuldades que se encontram sobre o tema dos afectos, da geração da vida, da reciprocidade entre o homem e a mulher, da paternidade e maternidade responsáveis. No respeitante à responsabilidade educativa dos pais, o documento frisa a dificuldade de transmitir a fé aos filhos e de lhes dar uma educação cristã sobretudo em situações familiares difíceis, cujos reflexos sobre os filhos se alargam também à esfera da fé.

Agora o documento será objeto de estudo e de avaliação por parte das conferências episcopais e confrontado com as diversas realidades locais a fim de evidenciar os pontos focais sobre os quais adiantar propostas pastorais a serem debatidas e aprofundadas durante os trabalhos da assembleia extraordinária e depois na ordinária que terá lugar de 4 a 25 de Outubro de 2015 cujo tema será «Jesus Cristo revela o mistério e a vocação da família».

segunda-feira, 7 de julho de 2014

OS CORRUPTOS MATAM...

Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá (PR)

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“Os corruptos matam e a única saída possível é o arrependimento”. Esta mensagem o Papa Francisco pronunciou na Missa do dia dezessete deste mês, na capela de sua residência. Partindo da Leitura do Livro dos Reis (1Rs 21,17-29) o Santo Padre Francisco anota o que diz o profeta Elias sobre o Acab dizendo que ele vendeu-se. É como se tornasse numa mercadoria. O Papa disse: “Esta é a definição: é uma mercadoria! Vimos que havia três tipos: o corrupto político, o corrupto negociante e o corrupto eclesiástico. Os três faziam mal aos inocentes, aos pobres, porque são os pobres que pagam a festa dos corruptos!”

“O corrupto vende-se para fazer o mal, julgando que apenas o faz para ter mais dinheiro”. “O corrupto é um escândalo para a sociedade, é um escândalo para o povo de Deus” – com estas frases fortes e duras o Papa Francisco apresentou três aspetos que definem o corrupto: “A primeira coisa na definição de corrupto é que é alguém que rouba, alguém que mata.
A segunda coisa: o que acontece aos corruptos? ...porque exploraram os inocentes, aqueles que não podem defender-se e fizeram-no com luvas brancas, à distância, sem sujarem as mãos. A terceira coisa: há uma saída para os corruptos? Sim! ‘Quando ouviu tais palavras, Acab rasgou as suas vestes e vestiu um saco sobre o seu corpo e jejuou’... Começou a fazer penitência.”
O Papa Francisco evidenciou que a única saída para um corrupto é pedir perdão, tal como fez Zaqueu, restituindo quatro vezes daquilo que roubou. O Papa Francisco disse ainda que quando lemos nos jornais que esta ou aquela pessoa é corrupta mesmo até quando são prelados da Igreja, devemos rezar por eles e pedir ao Senhor para que se arrependam e se convertam “e que não morram com o coração corrupto”.
Na missa do dia dezesseis dizia: “A corrupção dos poderosos acaba sendo ‘paga pelos pobres’, que por causa da avidez dos outros, ficam sem aquilo de que têm necessidade e direito. O único caminho para vencer o pecado da corrupção é o serviço aos outros que purifica o coração”.
“Lemos tantas vezes nos jornais sobre o político que enriquece magicamente. Foi processado, levado ao tribunal o empresário que ficou rico como uma magia, ou seja, explorando seus operários. Fala-se também do bispo que enriqueceu e deixou a sua função pastoral para cuidar de seu poder. Assim, os corruptos políticos, de negócios e os corruptos eclesiais. Eles estão em todos os lugares, e temos que dizer a verdade: a corrupção é justamente o pecado ‘acessível’, de alguém que tem autoridade sobre os outros... econômica, política ou eclesiástica. Todos somos tentados pela corrupção, porque quando alguém tem autoridade e se sente poderoso, se sente quase como um Deus”.
“Se falamos dos corruptos políticos ou dos corruptos econômicos, quem paga? Pagam os hospitais sem medicamentos, os doentes que não recebem cura, as crianças sem educação. Esses são que pagam a corrupção dos grandes. E quem paga a corrupção de um prelado? Pagam as crianças, que não sabem fazer o sinal da cruz, que não recebem catequese, que não são seguidas. Pagam os doentes que não são visitados, pagam os encarcerados que não recebem atenções espirituais. Os pobres pagam. A corrupção é paga pelos pobres: pobres materiais, pobres espirituais”.
O Papa convidou a todos para rezar pelas “pessoas, que pagam a corrpução, que pagam a vida dos corruptos. Estes mártires da corrupção política, da corrupção econômica e da corrupção eclesiástica. Que o Senhor nos aproxime deles. Que o Senhor esteja perto deles e lhes dê a força para continuar o seu testemunho, no seu próprio testemunho”.

Essa reflexão do Papa Francisco nos leva para uma consciência cada vez maior, da nossa responsabilidade diante das urnas nas próximas eleições. Voto não tem preço, tem consequência. A corrupção é uma tentação para todos nós e deve ser combatida, tanto na área política, privada e eclesiástica. Essa é a hora de nossa corresponsabilidade para fazer um país justo e solidário. Boa semana!

domingo, 6 de julho de 2014

PALAVRA DE DEUS NO DOMINGO


Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 11,25-30

Naquele tempo, Jesus pôs-se a dizer:
25'Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra,
porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos
e as revelaste aos pequeninos.
26Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado.
27Tudo me foi entregue por meu Pai,
e ninguém conhece o Filho, senão o Pai,
e ninguém conhece o Pai, senão o Filho
e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
28Vinde a mim todos vós que estais cansados
e fatigados sob o peso dos vossos fardos,
e eu vos darei descanso.
29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim,
porque sou manso e humilde de coração,
e vós encontrareis descanso.
30Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.
Palavra da Salvação.



sexta-feira, 4 de julho de 2014

CRISTÃOS LEIGOS E LEIGAS NA IGREJA E NA SOCIEDADE

Foi publicado pelas Edições CNBB o texto de Estudos nº 107 daConferência Nacional dos Bispos do Brasil. Tema prioritário aprovado durante 52ª Assembleia Geral da Conferência, realizada em Aparecida (SP), de 30 de abril a 9 de maio, “Cristãos leigos e leigas na Igreja e na sociedade” pretende animar o laicato na compreensão de sua atuação como sujeitos eclesiais nas diversas realidades em que se encontram inseridos. Ainda no título, encontra-se a passagem do Evangelho de São Mateus, que convida os discípulos de Jesus serem “Sal da Terra e Luz do Mundo” (cf. Mt 5, 13-14).
 O texto, baseado no método ver-julgar-agir, divide-se em três capítulos: “O Mundo Atual: Esperanças e Angústias”, “O Sujeito eclesial: Cidadãos, Discípulos e Missionários”, e “A ação Transformadora na igreja e no Mundo”. 
De acordo com o bispo auxiliar de Brasília (DF) e secretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, os leigos são “mulheres e homens que ajudam na construção do Reino da verdade e da graça, do amor e da paz; que assumem serviços e ministérios que tornam a Igreja consoladora, samaritana, profética, serviçal, maternal”.
Para o bispo de Caçador (SC) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, dom Severino Clasen, o texto de estudos quer restabelecer o sentido da vida e da existência. “Todo cristão leigo e leiga tem um papel decisivo também na Igreja, presente no seu testemunho de vida e coerência de se apaixonar por Jesus Cristo. E nesta paixão, neste amor, no seguimento a Ele, buscar também caminhos para transformar a sociedade”, afirmou.
A expectativa da Comissão Episcopal para o Laicato é que o texto seja estudado nas dioceses para receber novas contribuições e, depois, surja um documento que traduza a razão da presença dos leigos na Igreja e na sociedade.
A publicação pode ser adquirida pelo site www.edicoescnbb.com.br ou pelo televendas (61) 2193-3019.

Estão disponíveis no site da CNBB uma sugestão de estudo do texto e uma ficha de emendas para envio das contribuições.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

COPA E LIÇÕES DE CIDADANIA

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)


A Copa do Mundo no Brasil está desenhando importantes lições apontadas pelo povo, responsável pela progressiva construção de um quadro que, passo a passo, consegue distinguir os muitos aspectos que envolvem o torneio. De um lado, o interesse meramente econômico de dirigentes e mandatários, os altos salários inadmissíveis de jogadores e as indevidas apropriações políticas do esporte. Do outro, o gosto pelo futebol, sua arte e elemento de diversão, e o exercício de fraternidade universal, alegria e confraternização que reúne diferentes línguas, culturas e nações.
Sem perder essa luz própria, mesmo com as sombras de algum cenário de violência e vandalismo, o povo mostra uma força que deve servir de alerta a governantes, especialmente neste ano eleitoral, e a todos os construtores da sociedade pluralista. Trata-se de uma mobilização que não apenas pode, mas deve se manifestar nas urnas. O voto consciente tem a propriedade para reconstruir a sociedade. Para alcançá-lo, é preciso reconhecer-se como cidadão, parte de uma grande comunidade que deve caminhar unida em busca da superação dos desafios que atrapalham o desenvolvimento do país.   O ambiente que vem sendo construído pelo povo, ao longo desta Copa do Mundo, pode contribuir para que se alcance esse objetivo.
A vibração pelo esporte e a inteligência de não se perder a oportunidade da confraternização entre as pessoas estão sendo vividas de uma maneira muito singular. Essa particularidade está na postura político-cidadã de gestos como a acolhida aos visitantes e a realização de manifestações pacíficas, altamente significativas.  Nos próprios estádios, o povo quebra o protocolo dos organizadores e cantamais forte, de modo completo, o hino nacional, fazendo ecoar um recado de cidadania e o entendimento de que o governo de uma sociedade é feito pelo povo. Deste modo, seus delegados e representantes devem estar a serviço do bem comum.
A Copa do Mundo gera uma oportunidade para o próprio povo mostrar que não é multidão amorfa, inerte, a ser manipulada e instrumentalizada. É, na verdade, a união de pessoas, cada uma no seu lugar e a seu modo, como ensina a Doutrina Social da Igreja Católica, com autonomia para formar opinião própria a respeito da coisa pública e de exprimir sua sensibilidade política em vista do bem comum. Quando os representantes do povo aprendem a ouvir a voz que vem das ruas, em vez de obedecerem aos interesses partidários e de segmentos poderosos, tornam-se políticos dignos de autêntica estatura cidadã, capazes de trabalhar em busca de uma sociedade justa, solidária e civilizada.
O povo está sinalizando aos “profissionais da política”, nos âmbitos legislativo e executivo, que é urgente a comprovação desse pacto com o bem comum antes de se submeter às urnas. A autoridade política não pode ser fruto meramente de conchavos, articulações partidárias interesseiras garantidas pelos leilões de cargos e de vantagens, mas de um incondicional respeito e vivência de inegociável moralidade. Compreende-se, portanto, que a autoridade política não se esgota simplesmente em alguns feitos quase sempre distantes das mais urgentes demandas sociais. Trata-se, justamente, de reconhecer que essa autoridade é o povo, detentor da sua soberania, conforme bem ensina a Doutrina Social da Igreja.
A Copa está confirmando a etapa nova inaugurada em junho do ano passado, quando a sociedade brasileira, em muitas manifestações, fez ouvir a sua voz. Há um senso comum no mais recôndito da consciência popular que está se aflorando pela alegria proporcionada pelo futebol. Um clima de confraternização que não inclui governos e deixa recados para os políticos, mantendo distância daqueles que usufruem absurdamente do que pertence ao bem comum.  O Mundial, no conjunto de suas circunstâncias e desdobramentos, participação e debates, manifestações e indiferenças, está fazendo crescer - e que não seja perdida a oportunidade - uma sociedade brasileira politicamente diferente.
Vive-se um momento que precisa de desdobramentos e não pode ser perdido, com o término da Copa e a partir da profusão de discursos políticos obsoletos, particularmente aqueles que se constroem com os ataques mútuos e com as promessas sempre não cumpridas. O Mundial pode mesmo ser um exercício de vitalidade do povo, por suas escolhas de alegrar-se, manifestar-se, manter distâncias, debater e formar opinião de modo que a participação política ultrapasse os atos formais de votar e mesmo de se reunir em associações, partidos e sindicatos. É hora de um passo qualificado na política, diante da insatisfação com governos e representantes, em busca de uma sociedade politicamente mais cidadã e igualitária. Quem sabe, por isso mesmo, esta será para os brasileiros a “Copa das Copas”, porque sem esgotar-se em euforias que permitem manipulações, aponta um amadurecimento político do povo.

terça-feira, 1 de julho de 2014

HOSPITAL DO VATICANO FAZ DESCOBERTA PIONEIRA COM CÉLULA-TRONCO

A descoberta científica do hospital do Vaticano promete salvar a vida de milhões de crianças no mundo inteiro. A notícia foi divulgada pelo hospital pediátrico da Santa Sé, “Bambino Gesù” (“Menino Jesus”), com sede em Roma. Segundo a direção do hospital, os resultados foram apresentados à revista científica internacional “Blood”, e poderiam ser “um marco na cura de muitas doenças no sangue”.

 
O hospital anunciou, em uma coletiva de imprensa, que a manipulação de células-tronco, em ausência de um doador compatível, permite o transplante de um pai ou mãe ao seu filho. A descoberta é importante para curar crianças com problemas de imunodeficiência, doenças genéticas, leucemia e tumores no sangue.
 
“Estamos orgulhosos de apresentar este sucesso dos pesquisadores do Hospital ‘Bambino Gesù’, conscientes de que o protocolo dos nossos laboratórios é um marco na terapia de muitas doenças no sangue”, confirmou o professor Bruno Dallapiccola, diretor científico do hospital da Santa Sé.
 
Para a aplicação no campo da leucemia, a técnica aplicada pela equipe do professor Franco Locatelli, responsável pela Onco-hematologia e Medicina Transfusional do hospital, foi apresentada no último mês de dezembro em New Orleans, durante o congresso da Sociedade Americana de Hematologia (ASH).
 
O transplante de células-tronco adultas é uma cura que salva a vida de milhões de crianças que sofrem tumores do sangue, bem como de crianças que nascem sem as adequadas defesas do sistema imunológico. Por muitos anos, o único doador que se podia ter era um irmão ou irmã do paciente. O problema é que dois irmãos são idênticos somente em 25% dos casos.
 
Diante da impossibilidade de ter doadores na família, existem bancos de dadosinternacionais com 20 milhões de doadores voluntários de medula óssea. Mesmo assim os bancos de sangue para estes casos dão disponibilidade de apenas 600 mil unidades no mundo.
 
O problema se agrava quando 30 ou 40% dos pacientes não encontram um doador compatível, além do mais, considerando o tempo de seleção de um doador e a conclusão de todos os exames para identificar outro doador fora da família.
 
A técnica do hospital da Santa Sé foi aplicada em 23 pequenos pacientes. Os resultados, segundo afirmou a instituição, demonstram que a probabilidade de cura definitiva para estas crianças doentes é de 90%, ou seja, igual à técnica que emprega a medula de um irmão do paciente completamente compatível geneticamente.
 
A descoberta da manipulação das células-tronco é uma esperança para milhões de crianças que podem ser salvas com um transplante de medula. É possível salvar crianças na Ásia, África ou América do Sul, que não têm “representantes” nos registros de doadores de medula óssea e que, por meio desta técnica, poderão finalmente ter acesso a um transplante de maneira rápida e “virtualmente aplicável a todos os casos”.